Ao contrário do que as duas partes pensavam o tom cívico de Tiradentes, criou margem para os artistas positivistas, criarem um rosto, uma identidade que cativou. Transformando - o em Cristo brasileiro. A falta de imagens da época, e a ausência de detalhes dentre outros ajudou na formação deste herói. Poetas republicanos se aproveitaram da imagem, criando musicas, rimas fazendo crescer seu apelo religioso dentre os comuns. Basta olhar a maioria das imagens criadas de Tiradentes e compará-las com Cristo.
Tiradentes tornou-se o herói imaculado, se sacrificou pela liberdade de uma nação, perdoou seus carrascos e louvou ao Senhor antes de morrer. E o melhor não derramou uma gota de sangue do inimigo.
Fez na verdade criar um rancor pela coroa portuguesa por seu gesto egoísta e extremamente insensato. Ainda mais pelo fato que apenas ele serviu como exemplo e os outros conspiradores, no máximo foram extraditados para a África.
Até mesmo os monarquistas reivindicaram a imagem de Tiradentes, como símbolo para a Independência (juntamente com Dom Pedro I); os militares o transformou em Alferes.
A construção de sua personagem conseguiu unir o que os demais heróis e símbolos criados pela República conseguiram alcançar. Unir militares, republicanos, a Igreja o povo alheio ao movimento e até mesmo os monarquistas, foi um golpe de sorte. Ter um ser da qual estava vivo apenas na memória de mineiros e cariocas. Um homem que havia perdido a sua identidade ao ser condenado a morte, e a sua luta restrita apenas ao Estado de Minas Gerais (diga-se independência do Estado de Minas Gerais e não do Brasil, pois não havia essa idéia como aconteceu com Dom Pedro I). A liberdade dos artistas positivistas e por fim a pena que recaia sobre um condenado a morte pelas leis portuguesas e a transformação do homem nos poucos dados que se tinha em mãos, foram o suficiente para criar o mito Tiradentes.
Por fim segue um trecho do Livro “A formação das Almas” que fala tudo em tão pouco:
“Tudo isso calava profundamente no sentimento popular, marcado pela religiosidade cristã. Na figura de Tiradentes todos podiam identificar-se, ele operava a unidade mística dos cidadãos, o sentimento de participação, de união em torno de um ideal, fosse ele liberdade, a independência ou a república. Era o totem cívico. Não antagonizava ninguém, não dividia as pessoas e as classes sociais, não dividia o país, não separava o presente do passado nem do futuro. Pelo contrário, ligava a república à independência e a projetava para o ideal de crescente liberdade futura. A liberdade que ainda tardia.”









