quarta-feira, 11 de maio de 2011

Tiradentes um símbolo para a República - Ultima Parte




            Ao contrário do que as duas partes pensavam o tom cívico de Tiradentes, criou margem para os artistas positivistas, criarem um rosto, uma identidade que cativou. Transformando - o em Cristo brasileiro. A falta de imagens da época, e a ausência de detalhes dentre outros ajudou na formação deste herói. Poetas republicanos se aproveitaram da imagem, criando musicas, rimas fazendo crescer seu apelo religioso dentre os comuns. Basta olhar a maioria das imagens criadas de Tiradentes e compará-las com Cristo.

Tiradentes tornou-se o herói imaculado, se sacrificou pela liberdade de uma nação, perdoou seus carrascos e louvou ao Senhor antes de morrer. E o melhor não derramou uma gota de sangue do inimigo.

Fez na verdade criar um rancor pela coroa portuguesa por seu gesto egoísta e extremamente insensato. Ainda mais pelo fato que apenas ele serviu como exemplo e os outros conspiradores, no máximo foram extraditados para a África.

Até mesmo os monarquistas reivindicaram a imagem de Tiradentes, como símbolo para a Independência (juntamente com Dom Pedro I); os militares o transformou em Alferes.

A construção de sua personagem conseguiu unir o que os demais heróis e símbolos criados pela República conseguiram alcançar. Unir militares, republicanos, a Igreja o povo alheio ao movimento e até mesmo os monarquistas, foi um golpe de sorte. Ter um ser da qual estava vivo apenas na memória de mineiros e cariocas. Um homem que havia perdido a sua identidade ao ser condenado a morte, e a sua luta restrita apenas ao Estado de Minas Gerais (diga-se independência do Estado de Minas Gerais e não do Brasil, pois não havia essa idéia como aconteceu com Dom Pedro I). A liberdade dos artistas positivistas e por fim a pena que recaia sobre um condenado a morte pelas leis portuguesas e a transformação do homem nos poucos dados que se tinha em mãos, foram o suficiente para criar o mito Tiradentes.

Por fim segue um trecho do Livro “A formação das Almas” que fala tudo em tão pouco:

Tudo isso calava profundamente no sentimento popular, marcado pela religiosidade cristã. Na figura de Tiradentes todos podiam identificar-se, ele operava a unidade mística dos cidadãos, o sentimento de participação, de união em torno de um ideal, fosse ele liberdade, a independência ou a república. Era o totem cívico. Não antagonizava ninguém, não dividia as pessoas e as classes sociais, não dividia o país, não separava o presente do passado nem do futuro. Pelo contrário, ligava a república à independência e a projetava para o ideal de crescente liberdade futura. A liberdade que ainda tardia.”

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Tiradentes um símbolo para a República - 4ª Parte



        O que não faltou aos positivistas foi postulante a heróis. Tiveram Deodoro, Benjamin Constant e por ultimo Floriano Peixoto. Mesmo com todas as qualificações destes personagens, todos também possuíam algo que os tirava desse mérito.


            A imagem de Tiradentes, mesmo sendo usada nos Clubes Republicanos, e de sua colocaçãocomo herói, nunca foi propriamente colocado como símbolo da República como acabou por se tornar. Sob a sua figura, até mesmo nos livros didáticos do ensino fundamental e médio, nos coloca em duvida quem era Joaquim José da Silva Xavier. O que vemos hoje seja em imagens e na história desse personagem, veio de uma longa construção, ainda no Regime de Dom Pedro II, desde a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o Colégio Pedro II, o Arquivo Imperial e claro o movimentos republicanos desde 1870.
Em torno da personagem histórica de Tiradentes houve e continua a haver intensa batalha historiográfica. Até hoje se disputa sobre seu verdadeiro papel na Inconfidência, sobre sua personalidade, sobre suas convicções, sobre sua aparência física.”

            Não há como negar seu papel histórico, dada a importância desse movimento separatista ainda no Brasil Colônia. O grande problema era até que ponto se falaria abertamente sobre essa personagem, não por conta do período ou do regime, mas sim pelo fato do País ser governado pelo bisneto da Rainha Maria a Louca que o condenou a morte, que tanto conhecemos.



            Sua aparição discreta e controversa começou a se fortalecer ainda no Segundo Reinado, com comemorações da Inconfidência Mineira em 21 de abril. Debates e até mesmo brigas/discussões sobre quem era Tiradentes antes de depois da prisão, foi o que mais ajudou na construção de sua personagem como conhecemos hoje. Joaquim Norberto de Souza e Silva e sua obra História da Conjuração Mineira, pelo qual trabalhou por treze anos documentos sobre a Inconfidência até então desconhecidos. O grande problema para os republicanos nisso tudo, alem de o autor ser monarquista convicto, foi a mudança na personalidade e no comportamento de Tiradentes, que de um homem revolucionário havia se tornado se tornado em um homem santificado. Ainda segundo ele transformado por conta dos repetidos interrogatórios e da lavagem cerebral por conta da ação dos frades franciscanos, chegando a dizer: “Prenderam um patriota; executaram um frade!”. Os republicanos se negavam a aceitar que Tiradentes havia mudado e acreditavam que esse misticismo tiraria todo o apelo patriótico e o seu apelo heróico.


continua...

terça-feira, 3 de maio de 2011

IV Encontro Regional dos estudantes de História (Regional Centro- Oeste e Triângulo Mineiro) & O I Encontro Goiano dos estudantes de História.




De 23 a 26 de Junho de 2011 Acontece na Universidade Estadual de Goiás. O IV EREH-I EGEH - IV Encontro Regional dos estudantes de História (Regional Centro- Oeste e Triângulo Mineiro) & O I Encontro Goiano dos estudantes de História.

TEMA - Universidade: transformação ou reprodução? A construção do senso crítico no espaço acadêmico.
NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS - Campos UnUCSEH-ANÁPOLIS.

 
O evento tem como a finalidade divulgar promover o debate político acerca dos movimentos sociais no curso de História da UEG e de outras Unidades de ensino. A divulgação se dará através de palestras, comunicações, painéis, oficinas, que terão o trabalho publicado em um Caderno de resumo e nos anais do evento. Além das atividades políticas e científicas, os docentes e discentes do Curso de História promoverão atividades culturais e festivas com a finalidade de integração dos participantes do evento.

DEFESAS


EM 04.05.2011

MESTRADO  –  Nas fronteiras da normalidade: institucionalização psiquiátrica, práticas de recolhimento e caracterizações sobre a loucura em São Luís (1901-1941). Aluno: Fábio Henrique gonçalves sousa. Orientador: ione de Fátima oliveira, do Programa de Pós-graduação em História (PPgHis). Local: sala de projetos especiais, sala B1-621, no His, iCC norte, 1º andar.

domingo, 1 de maio de 2011

Tiradentes um símbolo para a República - 3ª Parte




“Está não é a República dos meus sonhos”

Essa é a frase revela o desapontamento gerado pelos mesmos (parte deles) que implantaram esse regime político no país, já no inicio da República.  O seu sonho de república seja ela democrática ou da ditadura, tinha ido literalmente por água abaixo(ainda mais que a república implantada seguia a tendência liberal americana que agradava apenas um setor da sociedade), a partir daí os periódicos e jornais de época passaram a ridicularizar a representação da República, os mesmos que durante o Império e a mudança do regime asfixiavam seus jornais com a idéia de que a República era o melhor para a nação e com imagens da Sra. República como guerreira e sabia (como Atenas) e por vezes como mãe (normalmente caracterizado como Clotilde de Vaux, antigo amor de Comte). Para transformá-la principalmente em mulher da vida, em prostituta.
Vale aqui uma ressalva, que a mulher, antes de qualquer coisa pelos princípios positivistas representava a humanidade e não a República como ocorreu aqui. O intuito nessa terceira parte é explicar porque a imagem da mulher foi difamada, e também as diferenças culturais do Brasil e da França com relação ao simbolismo feminino e a sua ligação ou ausência na mudança do regime político.


O que se sabe é que pouco mudou com relação ao Estado, após a mudança do regime político, e tenha até mesmo piorado (questão a ser debatida em outro momento). A ridicularização da figura feminina vinha tanto pelos setores contrários à República e como dito no inicio dessa terceira parte pelos próprios republicanos.
Como José Murilo de Carvalho nos revela em um de seus livros, e que é algo pontual para qualquer nação, são justamente a criação de símbolos e heróis que sustentem o regime, ainda mais por envolver toda uma cultura e luta como aconteceu na França durante todo o processo revolucionário. Para se ter uma idéia mais concisa a mulher teve participação ativa na revolução, onde um grupo de mais de 4 mil mulheres levaram o rei deposto para julgamento, participaram de importantes batalhas como um dos quadros postados aqui, e a imagem da mulher na França foi largamente usado, uma vez que como símbolo romano ela representava liberdade. Sua imagem de guerreira e mãe aparece com força, por conta da presença em massa das mulheres durante a revolução e talvez se não fosse por sua presença a revolução não seria a mesma. E também por uma questão simbólica, onde a imagem do Rei representava a sociedade patriarcal. Depois do fim do regime e da cabeça decapitada em praça pública mostrava o fim de uma era e o inicio um novo momento, era mais do que necessário que o regime tivesse uma nova cara, no caso a da mulher.
No caso brasileiro, existem alguns pontos poucos pontos que podem resumir o desafeto a imagem feminina e a sua ridicularização. Basta dizer minimamente que a sociedade naquela época era extremamente patriarcal, principalmente se levarmos em conta a influência da Igreja. A mulher aqui no Brasil só poderia ter duas definições, ou era mãe pura devotada à família ou era pública. E o sentido de pública era a da mulher da vida, prostituta no melhor sentido da palavra. Antes e durante o processo de mudança, a participação da mulher se resumiu a acompanhar seus maridos (militares ou não) a tomar conta de casa e no máximo costurar a bandeira do novo regime. Se olhar mais “a fundo” verá que a participação masculina era apenas da minoria letrada, que trouxeram os ideais republicanos (principalmente frances) da Europa para o Brasil. Se a participação masculina foi tão reduzida imagine o da mulher. Hoje vemos nas notas a república representada pelo busto de uma mulher (bem ao estilo grego), e a grande maioria de nós não faz idéia do por que e nem se importa com isso.
Assim mais uma vez Tiradentes vai ganhando força, onde símbolos forçadamente impostos na criação do novo regime não ganharam apelo da parte mais importante do resto da população que se mostrava contrário ao novo regime.

*nesta imagem de C. Do Amral, em O Malho, de 15 de novembro de 1902, mostra o contrate entre a República dos sonhos de 1889 e a de 1902. A primeira é representada por uma jovem inocente, a segunda, por uma mulher madura, de olhar debochado, soprando a fumaça de um cigarro. (Retirado do livro - A Formação das Almas - O Imaginário da República no Brasil - Carvalho, José Murilo, pags  87 e 90)


continua...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Tiradentes um símbolo para a República - 2ª Parte




Um dos símbolos mais poderosos do positivismo e antes dele a da Revolução Francesa é a imagem da mulher. Este símbolo teve representações marcantes tanto na evolução da construção da filosofia positivista de Augusto Comte, quanto na Revolução Francesa.

            Cada uma delas com inspirações distintas representam até hoje significados diferentes que se encontraram como símbolo nacional. No caso do Positivismo, a figura da mulher foi inserida, após o encontro de Comte com a Clotilde de Vaux, na qual a sua influência ditou novos rumos transformando a filosofia numa nova religião, onde o mais importante nesse momento é dizer que a mulher representava acima de tudo a humanidade. Já no caso Frances, após a proclamação da república, foi adotado a figura feminina advinda do simbolismo romano, uma vez que sua figura representava a liberdade, e para suprir o novo regime de símbolos, no qual após o fim da monarquia absolutista com a decapitação do rei, precisava de suporte para consolidar esse novo período. Alem da inspiração romana, outro fator para o uso da figura feminina foi a larga participação da mulher, durante toda a revolução, tendo até uma das participantes retratado como símbolo da República no quadro A liberdade guiando o povo,de Eugène Delacroix.


            A representação feminina como símbolo da república, ganhou adeptos entre os letrados brasileiros, já que esses tiveram alguma influência, seja na Revolução, seja na filosofia comtista (maioria absoluta dos republicanos). A figura feminina retratada aqui segue um misto de afrontamento a figura paternalista da monarquia e a evolução da humanidade de acordo com a filosofia positivista.

            Em um primeiro momento a sua imagem, ganhou força nos jornais republicanos, antes mesmo da proclamação, mostrando por meio de caricaturas, alternando sua imagem de protetora à guerreira, inicialmente com certa seriedade, logo depois com ar de ridículo como uma forma de critica ao novo regime.

            Seguindo as orientações de Comte nas representações artísticas do Positivismo, os artistas nas criações de seus quadros e monumentos deveriam por em suas obras “...idealização da realidade, a exaltação do lado altruísta e afetivo do ser humano, deve promover o culto cívico da família, da pátria e da humanidade.”





continua...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Tiradentes um símbolo para a República - 1ª Parte




Com a necessidade de se criar símbolos para fortalecer a Proclamação da República em 1889 junto à sociedade e aos grupos que a estabeleceram, utilizaram se das idéias positivista e da Revolução Francesa para confeccionar esses símbolos que mostrariam o ápice da ‘evolução’ política do Brasil. O problema era adaptar esses símbolos a realidade sócio-cultural brasileira, na qual se inseria como uma sociedade católica e conseqüentemente patriarcal. Imagine ter como símbolo nacional a imagem de uma mulher, tratada na sociedade apenas como dona de casa, mãe e submissa ao homem, torna-se assim um símbolo incoerente ainda mais por não ter qualquer simbologia religiosa.


Sabe-se que o símbolo a ser criado deveria agradar as 3 correntes que proclamaram a república e principalmente o povo. Sabe-se ainda que a mesma se deu por conta do descontentamento da Igreja, do Exército e dos Ex-proprietarios de escravos (latifundiários), ainda que existissem clubes e jornais republicanos espalhados no país e principalmente na capital, eles foram os responsáveis pela mudança. Mas a influência positivista na construção dos símbolos foi grande e ela não conseguiu impor um símbolo que pudesse fortalecer o novo regime e misturá-los a essas 3 correntes e principalmente ao povo.


              Segundo José Murilo de Cavalho no livro “Formação das Almas – O Imaginário da República no Brasil, a imagem de Tiradentes, mesmo presente em clubes republicanos (em quadros), não se esperava que o mesmo tivesse a força que apresenta hoje nos livros de história e no imaginário do povo como herói nacional.


Para explicar a ascensão de Tiradentes como símbolo nacional, ou melhor dizendo herói da República, deve-se voltar à filosofia Positivista de Comte e os símbolos por ele idealizado para a “máxima positivista”, para ser inserida no seu ideal de república.



Continua....