domingo, 1 de maio de 2011

Tiradentes um símbolo para a República - 3ª Parte




“Está não é a República dos meus sonhos”

Essa é a frase revela o desapontamento gerado pelos mesmos (parte deles) que implantaram esse regime político no país, já no inicio da República.  O seu sonho de república seja ela democrática ou da ditadura, tinha ido literalmente por água abaixo(ainda mais que a república implantada seguia a tendência liberal americana que agradava apenas um setor da sociedade), a partir daí os periódicos e jornais de época passaram a ridicularizar a representação da República, os mesmos que durante o Império e a mudança do regime asfixiavam seus jornais com a idéia de que a República era o melhor para a nação e com imagens da Sra. República como guerreira e sabia (como Atenas) e por vezes como mãe (normalmente caracterizado como Clotilde de Vaux, antigo amor de Comte). Para transformá-la principalmente em mulher da vida, em prostituta.
Vale aqui uma ressalva, que a mulher, antes de qualquer coisa pelos princípios positivistas representava a humanidade e não a República como ocorreu aqui. O intuito nessa terceira parte é explicar porque a imagem da mulher foi difamada, e também as diferenças culturais do Brasil e da França com relação ao simbolismo feminino e a sua ligação ou ausência na mudança do regime político.


O que se sabe é que pouco mudou com relação ao Estado, após a mudança do regime político, e tenha até mesmo piorado (questão a ser debatida em outro momento). A ridicularização da figura feminina vinha tanto pelos setores contrários à República e como dito no inicio dessa terceira parte pelos próprios republicanos.
Como José Murilo de Carvalho nos revela em um de seus livros, e que é algo pontual para qualquer nação, são justamente a criação de símbolos e heróis que sustentem o regime, ainda mais por envolver toda uma cultura e luta como aconteceu na França durante todo o processo revolucionário. Para se ter uma idéia mais concisa a mulher teve participação ativa na revolução, onde um grupo de mais de 4 mil mulheres levaram o rei deposto para julgamento, participaram de importantes batalhas como um dos quadros postados aqui, e a imagem da mulher na França foi largamente usado, uma vez que como símbolo romano ela representava liberdade. Sua imagem de guerreira e mãe aparece com força, por conta da presença em massa das mulheres durante a revolução e talvez se não fosse por sua presença a revolução não seria a mesma. E também por uma questão simbólica, onde a imagem do Rei representava a sociedade patriarcal. Depois do fim do regime e da cabeça decapitada em praça pública mostrava o fim de uma era e o inicio um novo momento, era mais do que necessário que o regime tivesse uma nova cara, no caso a da mulher.
No caso brasileiro, existem alguns pontos poucos pontos que podem resumir o desafeto a imagem feminina e a sua ridicularização. Basta dizer minimamente que a sociedade naquela época era extremamente patriarcal, principalmente se levarmos em conta a influência da Igreja. A mulher aqui no Brasil só poderia ter duas definições, ou era mãe pura devotada à família ou era pública. E o sentido de pública era a da mulher da vida, prostituta no melhor sentido da palavra. Antes e durante o processo de mudança, a participação da mulher se resumiu a acompanhar seus maridos (militares ou não) a tomar conta de casa e no máximo costurar a bandeira do novo regime. Se olhar mais “a fundo” verá que a participação masculina era apenas da minoria letrada, que trouxeram os ideais republicanos (principalmente frances) da Europa para o Brasil. Se a participação masculina foi tão reduzida imagine o da mulher. Hoje vemos nas notas a república representada pelo busto de uma mulher (bem ao estilo grego), e a grande maioria de nós não faz idéia do por que e nem se importa com isso.
Assim mais uma vez Tiradentes vai ganhando força, onde símbolos forçadamente impostos na criação do novo regime não ganharam apelo da parte mais importante do resto da população que se mostrava contrário ao novo regime.

*nesta imagem de C. Do Amral, em O Malho, de 15 de novembro de 1902, mostra o contrate entre a República dos sonhos de 1889 e a de 1902. A primeira é representada por uma jovem inocente, a segunda, por uma mulher madura, de olhar debochado, soprando a fumaça de um cigarro. (Retirado do livro - A Formação das Almas - O Imaginário da República no Brasil - Carvalho, José Murilo, pags  87 e 90)


continua...

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