quarta-feira, 15 de junho de 2011

Curso de extensão Atualização em História da África e História Afro-Brasileira – a Lei 10.639/2003 Primeiras impressões





Antes de qualquer coisa gostaria de deixar devidamente expresso que o que escrevo aqui é uma opinião minha, e que talvez cause transtornos... mas é uma opinião, a ser discutida e transformada no decorrer do curso ou trabalhada com discussões sadias.

                A temática do curso é muito interessante e trata de um assunto acobertado pela falsa impressão de que somos uma sociedade sem preconceitos. De uma parcela da sociedade (grande parcela para falar a verdade) que foi instigada a ser retratada como meros instrumentos de um passado (visto por nós) vergonhoso, assim como Dom Pedro II também o via. Não será nesse momento (não neste texto) que irei retratar esse ponto da nossa história, que infelizmente assim como outras passagens históricas são “mal passadas” nos livros didáticos. Causando uma péssima impressão da formação de nossa sociedade. E que infelizmente o que é uma inverdade sobre a história do nosso povo, hoje isso se inverte pelo que é visto pela reação (falta de reação) perante a tantos absurdos acometidos contra nós e nada fazemos por um conformismo construído, por interesses alheios.

                Aproveitando esse ponto dos livros didáticos, e bem comentado no curso. Falo com “força” que os nossos livros a Escola Sociológica (Fernando Henrique Cardoso e outros), inseriu o negro dentro da história, como coitado, inferior (grifo meu), fraco e um ser que aceita a sua condição sem luta ou questionamento. O que se trata de uma grande inverdade, quando nós historiadores e principalmente aqueles que se especializam na História da Escravidão brasileira.

                Minimamente digo que não apenas Zumbi, foi um movimento de revolta e libertação desse povo arrancado de sua terra, costumes e família. E ser tratado como um objeto no meio de tantos estranhos (não pela cor, mas sim pela cultura e língua falada), tentando a todo custo sobreviver a esse inferno. A sua luta, não mostrada pelo livro didático, é de um povo que manteve a sua cultura, mesmo essa entrelaçada ao cristianismo católico, que ao longo do tempo negociava com o seu senhor o seu trabalho e regalias. Conquistando sua “liberdade” e movimentando revoltas que ocorreram desde o Brasil colônia até o fim da escravidão com a Lei Áurea.

                E milhares de fatos e informações ainda desconhecida por nos homens comuns, me arrisco a dizer que até os movimentos negros e ONGs a desconhecem. Que aparentemente comprovei nos meu primeiro contato com as pessoas do curso, em que a grande maioria pertence a essas ONGs. Um pouco de sensacionalismo que vem da culpa dos nossos livros didáticos (não me canso de repetir), impulsionado por interesses e pela Escola Sociológica Brasileira, que ao tentar fazer justiça ao mal acometido ao Negro ou Afro-Descendente (termo usado atualmente), criou uma série de discussões, conflitos nem sempre amigáveis.

                Não é correto por a culpa em alguém, uma vez que não existia um estudo aprofundado no assunto. E ate mesmo pela falsa impressão de nos autodenominar um País sem preconceito racial. O mais interessante do curso até onde eu vi e foi discutido, é como trabalhar o tema escravidão e a história da África na sala de aula. E no próprio curso se reconhece a dificuldade de ter uma resposta pontual acerca do assunto.

                Estamos engatinhando, mas já é algo, uma vez que a história ainda insiste em ser algo privado de uma classe (infelizmente a nossa), o carregar uma postura errônea de ignorar o preconceito visto no dia a dia (de todas as formas possíveis) e das mudanças mais que necessárias nos livros didáticos e na postura do professor quanto ao tema.

                E como num laboratório, vamos testar e testar muitos meios e formas para começar a mudar esse quadro.

                No fim pouco falei sobre o curso em si, mas já vale como um bom inicio de discussão, que como dizem ainda vai dar muito pano p manga.

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