segunda-feira, 16 de maio de 2011

Segredos Internos – Engenhos e Escravos Na Sociedade Colonial 1550-1835 Parte I




O autor Stuart B. Schwartz, nos relata de modo totalmente diferente o inicio da colonização portuguesa e a sua relação com os “índios” no Brasil, se compararmos com o que nos é passado em toda a nossa vida escolar durante o primeiro e segundo grau (ensino fundamental e médio). Não querendo se aprofundar em um estudo etnográfico como ele mesmo diz:


Nosso ponto de partida deve ser o próprio índio, embora não pretendamos, aqui, apresentar um estudo etnográfico completo dos povos  indígenas brasileiros, nem mesmo os da Bahia, às vésperas do contato com os europeus.”


            Ele nos coloca algumas das principais características desse povo, que infelizmente por ignorância ou arrogância do povo europeu, não viram essas diferenças e impuseram termos, nomes e adjetivos nem um pouco amigáveis, e rituais abomináveis ao olhar europeu como principal desculpa para a sua escravização.


A ênfase dada aos costumes indígenas é colocada por mais de uma vez destacando a incompreensão dos europeus quanto a um costume totalmente avesso aos seus. Principalmente relacionado à agricultura, a propriedade e de como o tempo era utilizado, sendo chamados de preguiçosos por sua “ociosidade” e de bárbaros pelo modo que viviam:


“O que aos olhos dos europeus parecia prodigalidade, falta de interesse em lucros e despreocupação com os excedentes irritava-os, e mais de uma vez tais atitudes foram apresentadas como prova de irracionalidade de índio, portanto, de sua falta de “humanidade”.”



Importante dizer que a relação frutífera dos portugueses e franceses(), no inicio da colonização, para o a exploração do Pau Brasil, deveu-se a característica atividade masculina antes do plantio feito pelas mulheres, que era o trabalho coletivo da derrubada de arvores. E essa negociação também teve êxito até certo momento pela troca de das arvores por objetos tragos pelos portugueses, que satisfaziam o interesse dos índios, como machados e outros objetos que facilitava o seu trabalho dando tempo para as suas outras atividades.
Essa pratica também chamada de escambo durou até o momento em que os índios não queriam mais as mesmas quinquilharias que os portugueses traziam. Agora pediam algo considerado muito caro para o trabalho efetuado, que era armas que poderiam facilitar a caça, e isso era um ‘tributo’ muito pesado aos portugueses. Pessoalmente acredito também em um outro fator para que os portugueses não viessem aceitar esse pedido, possíveis conflitos que poderiam ser ocasionados a partir dos interesses portugueses para esse povo.


Os colonos tentaram de toda maneira se utilizar dos serviços ‘braçais’ dos índios, não importando que métodos fossem utilizados para isso. Três praticas foram utilizadas para isso tendo destaque para a escravização, abominada pelos jesuítas e repreendida na teoria pelas leis da Coroa Portuguesa. Merecendo o mesmo destaque vem a conversão imposta pelos jesuítas para a salvação desse povo, onde implantavam o catolicismo juntamente com a aculturação forçada, levando aos índios a se habituarem a uma cultura totalmente avessa da sua, que de alguma forma os levaria a trabalhar nas lavouras pelo habito de trabalho europeu. E por ultimo o trabalho assalariado. Sabe-se pouco sobre o tempo de duração de cada tentativa, apenas que chegaram a ser aplicadas sumiltaneamente e que trouxe uma certa disputa entre jesuítas e colonos como diz um trecho do texto:


                                   “... porem as divisões entre tais etapas não foram claramente delimitadas                                                                     e nem sempre o processo foi inudirecional, continuo e ubíquo. Durante o século XVII no Nordeste, os  portugueses tentaram aplicar as três técnicas simultaneamente. Em certa medida, a luta entre jesuítas e colonos era um                                                   conflito entre duas estratégias diferentes que tinham o mesmo objetivo: a europeização dos autóctenes.”       


 continua.....       

Um comentário:

  1. O indígena tem uma matriz cultural totalmente diversa da matriz Ocidental. Primeiramente a construção de pensamento do ocidente, separou totalmente o objetivo do subjetivo. A cultura é a negação da natureza. O Ocidente é dual.
    Com povos indígenas não se verifica essa dualidade. A cultura indígena depende da natureza, formam uma simbiose. Por esse motivo a visão dos indígenas à cerca do trabalho tanto chocou os europeus, bem como os mitos e ritos. Uma hora eles eram vistos como tábua em branco, que precisava ser convertida (jesuítas), outra hora tornavam-se a personificação da luta portuguesa contra os infiéis (Invasão árabe da Península Ibérica).

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